20/08/2026

Dançar conforme a [própria] música…

Há questão de uns cinco anos ou um pouco mais, era muito comum toparmos com ilustres palestrantes, futurólogos da globalização. Hoje, o que encontramos são os revisionistas.

Naqueles dias uma das previsões que chamavam a atenção, na verdade, até incomodavam, era a projeção do poder que deteriam os executivos-chefes das grandes corporações globais. Previa-se então que teriam ascendência sobre os mais importantes chefes de estado e, de certa forma determinariam o curso das políticas das nações. Praticamente definiriam o grau de sucesso ou insucesso que seria obtido.

Esses maestros, com sua onisciente capacidade de gerir negócios, de gerar riquezas, subjugariam culturas para impor seus padrões. Pensava-se que além de reger, teriam o dom de escrever partituras, de escolher o tom, de produzir harmonia. Seriam, enfim, os donos do grande concerto global.

O que estamos testemunhando hoje é a derrocada dessa previsão enganada e enganosa. É evidente que há muitas exceções, mas essas pessoas, em certo momento tidas como semideuses, estão se revelando, em grande número, excêntricas manipuladoras da verdade. Excêntricas, sim, porque ultrapassaram os limites da manipulação até então conhecida. Foram muito além, e de forma grandiosa e estridente, cantada aos quatro ventos, como se glória fosse.

As corporações globais, dirigidas por essas pessoas, refletiam em suas atitudes a arrogância de seus grandes chefes. Elas agora, além de terem que retomar um padrão ético elevado, terão que abdicar da pretensão de ser padrão de referência, e adaptar-se à forma de ser de onde se instalam.

O que aconteceu antes foi fruto de um processo errôneo. Impor-se aos padrões e costumes locais era uma prática da crença em que maximizar ganhos para um dos lados era o mais correto a se fazer.

Ambos os lados – os novos grandes chefes e nossa sociedade – tem agora que tomar consciência de seu correto papel. Eles e suas corporações devem entender que sua sobrevivência está intimamente ligada à capacidade de entender, respeitar e conviver harmoniosamente com a forma de ser e de se desenvolver das várias sociedades com as quais se envolvem. Além disso, colaborar objetivamente para esse desenvolvimento, dado que, principalmente em países emergentes, onde as possibilidades de ganho são maiores, maior deveria ser a destinação de recursos para objetivos coletivos. Se não por outro motivo, pelo menos pela compreensão de que é inteligente fazê-lo, já que isso retroalimenta o desenvolvimento.

Assim, mister se faz dançar com as próprias músicas…

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