Quem somos e o que fazemos
Alguns dias antes do primeiro aniversário do desastre de 11 de setembro, li uma crônica excelente publicada pelo Sr. Thomas Friedman, articulista do New York Times. O assunto era: O que deveria uma professora ensinar a seus alunos acerca do 11 de setembro?
O jornalista sugeria que a resposta deveria se desdobrar em duas partes. A primeira parte justificaria, ou melhor, explicaria o ataque, pela inveja, e outros sentimentos menos nobres que pessoas sentem com relação ao o que é a nação norte-americana. Neste vetor a professora poderia destacar vários aspectos positivos, principalmente o fato de ter a sociedade daquele país construído a maior e mais operante democracia da história.
Já no outro lado da questão, a abordagem seria com relação a o que faz o país, a sociedade norte-americana. Nesta abordagem seria explicada a inconsistência entre discurso e prática, dando então alguma justificativa para algum nível de sentimento contrário aos Estados Unidos da América. Ações como a intervenção na política de algumas nações, por vezes dando suporte a regimes ditatoriais, e outras iniciativas do tipo proteção inaceitável de setores de atividade em conflito com o discurso de livre comércio, etc, etc.
Gostei muito desse artigo e, de imediato, fiquei imaginando como é que ele poderia ser adaptado à nossa realidade, à realidade brasileira.
É muito comum nos referirmos ao Brasil e ao povo brasileiro como sendo, uma nação livre, amistosa, alegre, criativa. Há sem dúvida uma série enorme de qualificações muito positivas e que podem ser atribuídas à forma de ser da nação brasileira. Há também um sem número de questões muito negativas e que requerem solução no menor espaço de tempo possível.
Tomando o outro lado da questão, i.e., o que fazemos, surge toda uma dissonância com a nossa forma de ser. Essa questão se agrava quanto mais próximo da elite se esteja. A evolução do processo político neste momento me leva à reflexão sobre o quanto agem politicamente aqueles que teoricamente tem a capacidade de discernir. O que é que fazem para dar consequência ao voto que conferiram à algum candidato em eleições.
A discussão das grandes necessidades do país, típica de época de campanha, faz com que se pergunte: se é tão importante, por que é que até agora não foi feito? Ao se buscar a resposta a essa pergunta surge o relato de muitas iniciativas enviadas ao Congresso, como exemplo, e que lá estão faz muito tempo.
Há muita coisa como essa que não acontece e o que fazemos nós à respeito? Quantos enviam qualquer tipo de mensagem, falam com seu deputado, atuam no sentido de tentar com que algo seja feito.
O resultado dessa reflexão é que parece haver a necessidade de que uma parcela muito maior de nossa elite assuma o seu papel de cidadão e faça algo pelas principais causas da nação.
O voto é importante, mas é só o começo.