Da consciência à ação
Cinco atitudes para o cidadão que não quer esperar.
O Brasil só muda de verdade quando mudamos a forma como lidamos com o público, com a política e com o outro.
Este artigo é a continuidade de um esforço para estimular um movimento baseado no exercício consciente da cidadania, e na busca por mudanças tão desejadas em nosso País.
No primeiro texto, uma afirmação necessária: O CIDADÃO ESTÁ ACIMA DO ESTADO.
No segundo, reconhecemos: O CETICISMO É COMPREENSÍVEL. A DESISTÊNCIA NÃO – e enfrentou a crença de que mudanças estruturais não podem vir da sociedade, do cidadão comum.
Agora, propõe-se um passo adiante: agir. Por que já não basta ENTENDE A CRISE, é preciso enfrentá-la.
Já não é possível dizer que a crise que atravessamos é apenas institucional, econômica ou política. Ela é, acima de tudo, uma crise de CULTURA – valores comuns, de confiança pública, de responsabilidade compartilhada.
Mas também não é mais possível apenas ENTENDER A CRISE. É hora de agir.
Muitos cidadãos já despertaram e sabem que não faz sentido ficar esperando por um herói ou por uma solução mágica, vinda do alto.
Compreenderam que a reconstrução começa em outro lugar: na atitude cotidiana de cada um que se recusa a NATURALIZAR A DECADÊNCIA.
A pergunta que se impõe, então, é:
O que posso fazer, na prática, para ajudar a revitalizar a cultura pública no País?
Algumas sugestões iniciais, às quais se seguirão outras:
Nada degrada mais uma democracia do que o silêncio diante dos desmandos de hoje.
Nomear abusos, desvios, capturas e farsas é um ato de sanidade cívica.
O que hoje se cala, amanhã se repete – com mais força e mais custo.
Por isso, diga (EM PÚBLICO), escreva, aponte.
Com firmeza e sem ódio.
VALORIZE O QUE FUNCIONA – mesmo que não seja do seu grupo.
A política degenerou num jogo de torcidas. Se algo dá certo, mas vem do outro lado, desqualifica-se.
Essa lógica impede que avancemos.
Precisamos aprender e a admirar a excelência pública – onde quer que ela esteja.
Quando uma política pública funciona, quando um servidor age com ética, quando um projeto melhora a vida das pessoas, é dever do cidadão RECONHECER, DIVULGAR, PROTEGER.
EXIJA IMPESSOALIDADE ONDE VOCÊ ESTIVER.
Você pode não estar no governo, mas está em algum lugar: empresa, associação, escola, condomínio, projeto, onde há também decisões, regras, escolhas, nas quais pode haver favorecimento, compadrios, exceções pessoais.
A cultura institucional começa onde se exige que as regras valham para todos.
Seja você o agente dessa prática, mesmo no ambiente informal. Isso muda o entorno – e prepara o país.
JUNTE-SE A OUTROS CIDADÃOS LÚCIDOS
Indignação isolada vira frustração, mas quando as pessoas lúcidas se conectam com propósito, nasce algo diferente: LUCIDEZ ORGANIZADA.
Através de grupos de discussão diversos, da leitura, de um núcleo de ação, de uma rede de articulação cívica, ainda que pequena, se for coerente e perseverante, será mais útil do que muitos “likes”.
Democracia não vive só de votos, mas de COMUNIDADE DE VALOR.
ESPALHE ESPÍRITO PÚBLICO – e não indiferença
Não é verdade que as pessoas não ligam para o Brasil, apesar de muitos se esconderem atrás do cinismo como mecanismo de defesa e, outros mais, terem sucumbido à lógica do “ cada um por si”.
Você pode inverter isso no seu raio de ação, reconhecendo o mérito, incentivando o serviço publico, premiando a responsabilidade, admirando o coletivo.
SEM OXIGÊNIO MORAL NENHUMA REFORMA SE SUSTENTA.
Finalmente, nenhuma mudança duradoura virá de decretos, líderes carismáticos ou reformas de gabinete.
O que sustenta a democracia é a AÇÃO CÍVICA DECIDIDA, COTIDIANA, INSISTENTE, sustentada pela coragem de explicitar publicamente as mazelas existentes e, ao mesmo tempo, começar a viver – mesmo que em pequena escala – os valores que queremos, ainda não temos, mas podemos ter.
Essa é a revolução possível. Em outros momentos da história já aconteceu.
Ela começa agora, POR VOCÊ.