29/09/2026

Cidadão acima do Estado

Indignar-se não basta.

Vivemos tempos em que protestar parece não surtir efeito. Por mais que nos mobilizemos, por mais que se grite nas redes ou nas ruas, o sentimento de impotência diante do rumo do país insiste em se instalar.

Foi essa inquietude – esse desconforto com a ineficácia de gestos isolados – que me levou a buscar inspiração em histórias reais de coragem cívica, em movimentos que marcaram seus tempos, reescrevendo destinos.

O que mais me tocou nessa busca foram os pensamentos e ações que convergem para a poderosa idéia da Desobediência Civil.

Longe de ser um ato de rebeldia desorganizada, a desobediência civil é expressão legítima da soberania popular. Um lembrete essencial: o Estado existe por decisão da sociedade. Seus agentes – políticos e burocratas – só tem legitimidade se atuam dentro dos limites do pacto social. Eles existem para servir e não para se impor.

Relendo autores como Hannah e Henry David Thoreau, reencontrei essa verdade. E, para minha surpresa e alegria, descobri que meu amigo e empresario Wagner Giménez Borin acaba de lançar o livro Desobediência Civil Organizada – uma obra que chega em hora certa, oferecendo lucidez e ferramentas para um novo agir coletivo.

Ecoam também os alertas recentes de nomes como Vicky Bloch, ao nos falar sobre o “Cansaço Moral”, e as análises lúcidas de Rubens Barbosa, Felipe D’Avila, Fernando Schüsller, Horacio Paiva, Pedro Passos e Pedro Wongtschowski, entre outros, que apontam para a urgência de uma postura cidadã mais ativa, crítica e propositiva.

Estamos diante de um terreno fértil. O momento é propício ao surgimento de uma massa crítica de cidadãos conscientes, prontos para restaurar o equilíbrio entre o indivíduo e a máquina estatal.

Mas é preciso ir além das palavras.

É tempo de se manifestar – com clareza e coragem – contra:

  • O gasto público incontrolável e sem retorno social
  • A carga tributária abusiva
  • O assistencialismo que aprisiona em vez de emancipar
  • O uso excessivo e distorcido do judiciário como substituto da política
  • A crise de representação que transforma o parlamento em palco de interesses próprios

Falta-nos uma proposta clara de país.

Falta-nos ação.

Falta-nos voz.

É hora de despertar da apatia.

De mostrar, de forma pública e contínua, a nossa insatisfação – e também de identificar e apoiar novas lideranças que nos libertem da armadilha das escolhas pelo “menos pior”.

A história está repleta de exemplos de quando o povo, pacífica e firmemente, disse “basta”. E o Brasil de hoje reúne muitas das mesmas razões que levaram à transformação em outros tempos e lugares.

Vamos nos inspirar neles. Vamos exercer nossa cidadania em sua forma mais plena.

Cada um com seus instrumentos: o voto, a palavra, a ação comunitária, a representatividade.

De forma pacífica, determinada e permanente – como nos ensinou Gandhi – pois a desobediência civil, pode sim, transformar sociedades inteiras sem recorrer à violência.

Com amor profundo por esta pátria, deixo aqui este convite:

Que sejamos protagonistas de uma nova história.

Uma história de cidadãos que se recusam a se calar.

Uma história em que o indivíduo retoma seu lugar no centro da democracia.

O Brasil precisa de nós. Agora.

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